Sicredi Aliança PR/SP participa de Summit Educação Sicredi, com foco nas transformações contemporâneas na educação
Sicredi · · Fonte: Assessoria Sicredi

Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela transformação digital, pelo excesso de informação e por novas questões sobre o papel da escola, uma pergunta ganha cada vez mais espaço entre os educadores: o que precisa ser ensinado e aprendido para preparar crianças e jovens para um mundo em constante transformação? Foi a partir dessa reflexão que o Summit Educação Sicredi 2026 reuniu, nos dias 23 e 24 de setembro, em Curitiba (PR), mais de mil educadores dos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A Sicredi Aliança PR/SP esteve representada pelo Presidente da cooperativa, Fernando Fenner, equipe de Desenvolvimento do Cooperativismo, coordenadores pedagógicos de ambos os estados de atuação e de representantes de primeira cooperativa escolar fundada, a Cooperativa Escolar Rui Barbosa.
Com o tema “A pergunta que não quer calar”, o evento colocou em debate os desafios contemporâneos da educação, o protagonismo dos professores e estudantes, a educação financeira, a saúde emocional, a relação com a tecnologia e o papel da escola na formação de pessoas capazes de fazer escolhas e construir seus próprios caminhos.
Entre os destaques da programação esteve a apresentação de uma avaliação dos programas educacionais do Sicredi, que traz um olhar sobre o impacto das metodologias na realidade das escolas. O levantamento, realizado com dados de instituições de todo o Brasil e com consultoria externa, comparou escolas que participam dos programas A União Faz a Vida (PUFV), Finanças na Mochila e Cooperativas Escolares com instituições que não participam das iniciativas.
No caso do A União Faz a Vida, por exemplo, as escolas participantes apresentaram desempenho superior, com uma diferença de mais de 16% em comunicação interpessoal. Em Finanças na Mochila, 31% dos estudantes ampliaram a compreensão sobre educação financeira e, em Cooperativas Escolares, mais de 25% dos estudantes desenvolveram a habilidade de liderança e 23%, a de comunicação. Atualmente, cerca de 600 mil crianças e adolescentes participam anualmente das metodologias.

Os dados reforçam a importância de avaliar, para além do alcance dos programas, os efeitos que eles produzem no cotidiano escolar. Ao comparar escolas participantes e não participantes, o levantamento permite observar resultados concretos associados às metodologias e dá visibilidade ao impacto de iniciativas desenvolvidas para apoiar educadores e estudantes.
“O resultado social vem dos professores, dos alunos e dos assessores pedagógicos. Não existe prosperidade sem educação, e construir sociedades mais prósperas é um dos objetivos do Sicredi”, afirma Keyla Copes, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Sicredi.
Educação diante de novas perguntas
A discussão sobre o futuro da educação permeou toda a programação. Se, por um lado, crianças e jovens têm acesso a um volume cada vez maior de informações e tecnologias, por outro, cresce a necessidade de desenvolver habilidades que permitam interpretar, questionar e fazer escolhas diante desse cenário.
Para Mariana Baião, assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo da Central Sicredi PR/SP/RJ, o desafio está justamente em repensar o que significa aprender e ensinar em um mundo em transformação. “O que será de nós com tanta tecnologia? Essa é uma das perguntas que nos movem para o novo. E talvez a pergunta que não queira calar para educadores e alunos seja justamente: o que precisamos aprender e ensinar para continuar sendo protagonistas das nossas escolhas?”, pontua.

A filósofa e professora Lúcia Helena Galvão, palestrante do evento, trouxe a reflexão sobre os limites de uma educação baseada apenas na transmissão de informações. Para ela, a sabedoria não se resume ao acúmulo de informações. “Sabedoria é o rastro que deixamos. Temos muita informação e tecnologia, mas sabedoria não. Educar é dar à luz”, afirmou, ao defender uma formação que vá além da transmissão de informações e contribua para o desenvolvimento das pessoas.
A educação financeira também ganhou espaço entre as discussões. O economista e psicanalista Fabiano Calil defendeu que temas como planejamento, escolhas, limites e relação com a própria realidade financeira sejam trabalhados desde cedo. “Dinheiro é um meio”, afirmou.
Já o educador e pesquisador Nélio Spréa trouxe a linguagem, a oralidade, a ludicidade e a cultura popular para a discussão sobre a aprendizagem. Ao abordar o papel do educador como estimulador, lançou algumas questões: “Que lugar você está na sua vida hoje? Para onde eu vou? Onde isso vai dar?”. Com isso, mostrou como o questionamento pode fazer parte da prática pedagógica.
O filósofo Clóvis de Barros Filho provocou os participantes a refletirem sobre o que caracteriza o sucesso da educação e qual é a responsabilidade da escola nesse processo. “Tudo o que ensinamos pode ser problematizado e tudo o que não ensinamos pode ser mais problematizado ainda”, declarou.
Para Clóvis, educar também significa ajudar o estudante a desenvolver critérios para as escolhas ao longo da vida. A escola deve contribuir para a autonomia, o autoconhecimento e a capacidade de desejar uma vida boa, para além do consumo e do conforto material. O filósofo destacou ainda que prazer e sabedoria exigem formação e preparo. Nesse sentido, cabe à educação desenvolver a resiliência crítica e a capacidade de avaliar as próprias escolhas. “Educar é também ensinar a desejar bem”, sintetizou, ao defender que cada pessoa seja capaz de tirar de si o melhor.

Protagonismo que sai do discurso
O protagonismo dos estudantes também esteve presente no Summit. Jovens participantes das Cooperativas Escolares compartilharam suas experiências e mostraram, na prática, como os
programas podem criar espaços para desenvolvimento, participação e construção de perspectivas para o futuro.
Para Nicholas Silva Baltor, presidente da Cooperativa Escolar Coopssamarah U.E.P., da Sicredi Agroempresarial PR/SP, participar do evento representa uma oportunidade de ampliar conhecimentos e perspectivas. “O Summit Educação são oportunidades que estão sendo abertas para o nosso futuro”, afirma.
A assessora pedagógica Luciana Diniz, da Sicredi Paranapanema Serrana PR/SP/RJ, também destacou a possibilidade de transformar os aprendizados do evento em ações concretas. Segundo ela, as experiências compartilhadas ajudam a levar novas ideias para a implantação do projeto de Cooperativas Escolares em sua região.
Ao reunir educadores, estudantes, dirigentes e especialistas, o Summit Educação Sicredi 2026 propôs que as respostas para os desafios da educação não estão prontas. Em um cenário de rápidas transformações, a capacidade de continuar fazendo perguntas — sobre o papel da escola, do professor, da tecnologia e do próprio estudante — passa a fazer parte da construção do futuro.





