O El Niño se intensificou no Oceano Pacífico e deve provocar chuvas acima da média em todas as regiões do Paraná até dezembro de 2026. Segundo o Simepar, o Oeste, Sudoeste e Centro-Sul estão entre as áreas onde são esperados os maiores volumes de precipitação.
O fenômeno atua desde junho e ganhou força no último mês. Dados divulgados nesta quinta-feira (13) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam que, em julho, a temperatura da superfície do mar em uma das principais áreas monitoradas ficou 1,4°C acima da média.
As projeções indicam probabilidade superior a 90% de o El Niño atingir intensidade considerada muito forte, situação caracterizada por temperaturas pelo menos 2°C superiores à média climatológica.
O pico de intensidade é esperado durante a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul, principalmente entre outubro e dezembro.
Paraná pode ter mais episódios de tempo severo
Com o fortalecimento do El Niño, a tendência é de primavera e verão mais chuvosos no Sul do Brasil.
No Paraná, além do aumento dos volumes de chuva, o Simepar alerta para a possibilidade de maior frequência de tempestades fortes, chuvas intensas, inundações e enxurradas.
Os efeitos do fenômeno sobre o clima paranaense devem permanecer pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
O cenário, entretanto, não significa chuva constante. O Simepar destaca que a ocorrência e intensidade de cada episódio dependem da atuação de sistemas meteorológicos, como frentes frias e áreas de baixa pressão. Por isso, as previsões precisam ser acompanhadas continuamente.
Inverno já apresenta chuva acima da média
Os efeitos já podem ser observados durante o inverno. Das 45 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de funcionamento, 41 registraram chuva acima da média histórica em julho.
Somente Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba ficaram abaixo da média.
Em Palmas, foram registrados 311 milímetros de chuva em julho, o maior volume para o mês desde a instalação da estação meteorológica, há 28 anos.
Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã também registraram recordes de chuva para julho considerando as respectivas séries de medição.
O comportamento já havia sido observado em junho. Naquele mês, apenas uma das 45 estações analisadas registrou precipitação abaixo da média histórica. Em municípios como Capanema, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Ponta Grossa e São Miguel do Iguaçu, o acumulado ficou pelo menos 100 milímetros acima do esperado.
Agricultura exige atenção
Para o campo, o aumento das chuvas pode trazer benefícios ao reduzir áreas de seca e aumentar a disponibilidade de água para as culturas. O excesso, porém, também representa riscos.
A elevada umidade do solo pode dificultar operações agrícolas e interferir nas janelas de plantio e colheita. Também aumenta o risco de doenças causadas por fungos, perda de qualidade dos grãos e erosão do solo.
O Simepar reforça que mesmo episódios muito fortes de El Niño não provocam necessariamente os mesmos efeitos em todas as regiões. Quanto maior a intensidade do fenômeno, entretanto, maior a possibilidade de ocorrência dos padrões climáticos normalmente associados a ele.













